ELA E SEUS PERFUMES
Final de tarde. As mulheres de cabelos molhados em seus trajes simples, mas muito bem cuidados por seu trabalho perfumado vão à padaria ou buscam seus filhos na escola ou os dois.
Apertam o passo pensando em seus filhos na porta da escola ou na água que deixaram no fogo ou o feijão...
Algumas ainda varrem suas calçadas como arremate pelo dia de folhas e poeira no chão.Neste momento elas olham e varrem e olham de novo e assim participam do movimento da rua até aquele momento quase indiferente a elas...aquele é o animado e sonoro momento da volta pra casa. Maridos que voltam pra suas mulheres...filhos também. E chegam prontos pra contar todos os acontecidos.
Agora suas mulheres são suas mais fiéis ouvintes e interlocutoras. Também gostariam de ser as narradoras de suas peripécias no trabalho da casa que rendeu mais do que ontem e menos ou mais do que amanhã...mas sempre rende. Mas ninguém se lembra de perguntar nada. E ela consente nisso sem nenhuma tristeza. Nenhuma.
Seu perfume do banho fresco já vai se misturar de novo aos temperos da noite.
E quando todos terminam de contar seus casos, tomam seus banhos, cumprem alguns deveres, alimentam seu corpo e suas distrações, então vão pra cama. Lá recolhem idéias nos seus sonhos pra viver o dia de amanhã, acarinhados pelo perfume das vestes de dormir que a mulher preparou.
O silêncio cobre a rua numa oferenda da natureza que puxa suas cobertas e oferece os travesseiros brilhantes do céu. A vida continua e a mulher depois de ter oferecido aquele sono tranqüilo aos seus, suspira...Assiste a um pouco de TV com um olho só: um misto de sono e cuidado com o sono da casa. Olha o relógio e parte dali pro seu refúgio merecido, cheio de amor e companhia – ou não – e muito descanso esperando pelos primeiros minutos do próximo dia.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
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